A interface tangível do usuário em ambientes Phygital

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Autor: Rodrigo Fontes — Analista Phygital everis Brasil

Ao passo que a modernização demanda transformações digitais, sejam elas computacionais ou de operação, novas maneiras de interação com os novos ambientes tornam-se necessárias, para que sejam criadas aplicações responsivas cada vez mais naturais.

As interfaces tangíveis do usuário são objetos físicos do cotidiano, tais como uma chave, uma pulseira ou um cartão, que imbuem tecnologia capaz de gerar uma representação digital, tornando-se um recurso significativo para o desenvolvimento de implementações phygital (que une as duas características: física e digital) de forma a tornar mais fácil e intuitiva a interação computacional com o usuário final, uma vez que o formato da interface tangível é sugestivo ao seu uso: pode-se usar uma chave física para ser autenticado em uma porta eletrônica, por exemplo.

Os equipamentos tangíveis se baseiam em três conceitos:

(1) a interatividade através do contato físico, contato esse que se reflete em respostas no meio digital;

(2) a praticidade em aplicações do dia a dia que possam facilitar a vida e que, cada vez mais, ganham espaço no mercado;

(3) a colaboração, que torna possível realizar desde uma reunião até cirurgias à longa distância, por exemplo.

A partir das características citadas acima, pode-se supor o uso de tangibilidade em diversos ambientes, para exemplificar, vamos considerar uma mesa tangível de operações financeiras, disponível em uma sala de espera de uma agência bancária. Na mesa, são localizados vários cartões, cada cartão possui uma tecnologia capaz de armazenar dados de um determinado produto bancário, seja ele uma aplicação ou um empréstimo, serviço que será contratado simplesmente pelo fato de um cliente escolher levar um desses cartões para casa. A mesa tangível também pode ser usada para personalização dos serviços: fichas podem representar juros, dinheiro e parcelas de débito automático. Dessa forma o cliente monta o seu produto entendendo mais facilmente as regras de negócio do banco, sem precisar da leitura de contratos complicados.

Embora dispositivos que usem da interface padrão GUI (Graphical User Interface, como teclados, mouses e telas) também sejam físicos, a representação física em uma TUI fornece uma importante distinção: a forma de manipulação física de um objeto usado como interface permite um maior controle e manipulação de seus parâmetros, o que afeta diretamente a simulação digital subjacente.

Uma interface tangível, localizada no “mundo real” (mundo físico, existente), geralmente possui uma representação digital, localizada no “mundo digital” (nuvem ou servidor local), as modificações que ocorrem em um dos lados, mundo real ou mundo digital, estão conectadas e reagem de forma parecida. Esse é o mecanismo que permite o controle de informação digital por meio de interfaces no mundo real.

Em outras palavras, as representações físicas de uma plataforma tangível estão computacionalmente ligadas à informação digital, por exemplo: pode-se ter a informação de um gráfico salva em um arquivo, e é possível usar essa informação para plotar um gráfico em uma mesa 3D com interface tangível, fazendo o gráfico na mesa também tornar-se uma chave de entrada, e quando tocado, as modificações resultantes desse toque serão transmitidas para a informação guardada no arquivo. Da mesma forma, um arquivo com as informações de um gráfico pode ser criado do zero, manipulando-se apenas a interface tangível, logo, os dados resultantes dessa manipulação irão constituir nova informação digital.

No entanto, algumas TUIs possuem formato específico e não têm a capacidade de mudar as formas de representações tangíveis durante a interação com o usuário. Nesses casos, os usuários devem usar um conjunto finito predefinido de objetos que servem como TUIs, e alterar apenas a relação espacial entre eles, não a sua forma individual. Exemplo: mudar a posição de uma xícara em uma cozinha pode habilitar as funções existentes de cozinha inteligente que possam haver naquele ambiente, mas não é possível mudar o formato da xícara durante esse processo. Mesmo assim, as TUIs tiram proveito da inerente habilidade humana de compreender e manipular formas físicas, enquanto proporciona poder de processamento proveniente de computadores.

As plataformas tangíveis apresentam interação imediata, reagindo a entrada dos usuários em tempo real. Usando o exemplo já citado do gráfico em 3D, pode-se supor que ele seja capaz de responder uma interação direta do usuário, mudando de cor ao ser tocado ou invertendo seus valores apresentados anteriormente. Isso gera um grau de imersão maior com usuários em comparação a interfaces puramente digitais, pois a mudança nas informações ocorre no mesmo ambiente onde se encontra o usuário. Além do mais, há o fato de que as TUIs são projetadas para se parecerem com objetos relacionados com sua função, o que torna seu uso intuitivo, principalmente para os usuários que nunca tiveram contato com elas.

Em geral, TUIs dão forma física para informação digital e computação, facilitando a manipulação direta de bits. O objetivo é capacitar colaboração, aprendizagem, e tomada de decisão através de tecnologia digital aproveitando a capacidade humana de agarrar e manipular objetos físicos e materiais. A relação interativa entre esses elementos torna a experiência com os ambientes virtuais mais real e convincente para o usuário, que pode fazer uso dos cinco sentidos do ser humano, fato que pode ser considerado inclusive para aplicações voltadas a ajuda de deficientes físicos, além de enriquecer a quantidade de recursos disponíveis para se interagir com um computador.

A everis vem atuando prontamente com estes novos tipos de interface, buscando a implantação de projetos phygital nos ambientes de nossos clientes, projetos que unem as interfaces tangíveis, além de outras aplicações da empresa, e modelos de interação com jornadas abertas ou personalizadas, criadas a partir de um plano de desenvolvimento ágil que envolve um ciclo de entendimento de negócio, metodologia ágil de desenvolvimento e relação com fornecedores. O intuito é criar uma verdadeira experiência imersiva digital, que engaje clientes finais e colaboradores de diversos setores do mercado, diminuindo o atrito nas relações pessoais e digitais.

Referências:

>MAIA, R., FERNANDES, S. e CASTRO, A. (2017). Tangible User Interface as Input and Output Device. IEEE Latin America Transactions. 15. 154. 10.1109/TLA.2017.7827919.

>STERMAN, E. A Revolução Tangível (2014).

>ISHII, H. The tangible user interface and its evolution. Communications of the ACM, ACM, v. 51, n. 6, p. 32–36, 2008.

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