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Cauê Dias | Líder de Inovação | everis Brasil

Como a Facebook Libra pode impactar o segmento bancário

Neste ano (2019) o Facebook anunciou sua cryptomoeda global, tecnicamente com muitas semelhanças as moedas digitais existentes porém com uma estratégia diferenciada e sólida de lançamento em relação as concorrentes. A promessa é balançar o segmento bancário mundo afora com o potencial de se tornar uma moeda global, mas como se dará esse impacto aqui no Brasil?

Antes de mais nada, ela é uma Stable Coin

Diferentemente do Bitcoin (BTC), do Ethereum (ETH) e outras a Libra é uma Stable Coin, isso significa que seu valor não se dá somente pela composição entre o da custo de mineração e oscilação de mercado por oferta em procura. Assim como algumas outras raras a Libra terá um terceiro elemento de equilíbrio que é um lastro em ativos de mercado com alta liquidez (como títulos de governo americanos). Isso dará a moeda muito mais estabilidade e “cara de dólar”, já que os lastros em sua maioria serão efetuados produtos americanos.

O Facebook é uma marca que já conhecemos

Provavelmente você desconfia das crytos atuais, afinal de contas não existe uma grande empresa ou governo por trás delas e o espirito anarquista acaba afastando a maioria das pessoas. Diferentemente do mercado como um todo o Facebook tem uma reputação a zelar o que torna o projeto ainda mais sério, um colapso da moeda poderia afundar a empresa mesmo ela tendo fundado uma segunda só para controlar a moeda, afinal de contas estamos falando da empresa que possui a maior rede social do mundo.

É bem provável ainda que a empresa coopere com os governos desde o inicio de sua operação mundo afora afim de evitar um colapso das moedas e sistemas de tributação locais, sendo assim não seria facilmente banida em países desorganizados como o nosso onde a proibição antecede da reflexão sobre um problema.

Qual será o impacto para o mercado financeiro brasileiro

Senhores, antes de pensar que algumas das linhas abaixo possam ser exageradas lembro-os que a rede social Facebook possui hoje cerca de 2.38 bilhões de usuários ativos mês, números esses que nunca foram obtidos por qualquer banco. Isso quer dizer que no primeiro mês de vida da moeda potencialmente mais da metade do planeta Terra tenha interesse em usa-la.

Afinal, quais impactos poderão acontecer? Vamos por partes:

Cambio e envio de remessas ao exterior

Esse mercado que ilegalmente já é afetado pelas cryptos existentes tende a ser ainda mais prejudicado, o Facebook Libra tem o potencial de ser o maior recurso de transferências internacionais de pessoas físicas para pessoas físicas e de pessoas físicas para jurídicas já que como toda crypto substitui meios de pagamentos como o cartão de crédito. A venda de dinheiro vivo estrangeiro nas casas de cambio deve chegar a um nível baixíssimo, a capilaridade de aceitação da Libra reduzirá a necessidade de dinheiro físico para viagens ao exterior.

Contas bancárias com baixa movimentações e poupanças

Assim como já é feito em outras moedas digitais a Libra é livre de taxas de manutenção de conta, cobrando por transação efetuada, o que dá a sensação ao cliente de mais transparência quando se cobra qualquer taxa. Àquelas pessoas que usam uma poupança para receber dinheiro ou guardar uma pequena quantia em reais agora poderão faze-la em libras (com lastro em dólar), sem os custos de uma banco ou sem se expor ao risco do Real.

Clientes negativados e desbancarizados

Há no mercado um grande movimento para o atendimento de clientes que não possuem condições para uma abertura de conta convencional nos bancos, a Legislação de Arranjos de Pagamentos impulsionou a criação de diversas Fintechs com foco no atendimento desse público, oferendo produtos simples como contas sem cheque especial e cartão de crédito pré-pago essas empresas estão em plena expansão. Potencialmente o sistema de carteira digital da Libra atende esse público e se torna um vilão para as startups, aquelas que não correrem para fazerem parte da rede Libra poderão estar com os dias contados já que a nova moeda terá convênio com grandes bandeiras de cartões, podendo haver assim recargas diretas em libras.

Micro Empreendedores Individuais

Também em sua maioria atendidos pela legislação de arranjo de pagamentos ou por segmentos específicos criados pelos grandes bancos, os Clientes MEI podem aderir rapidamente a moeda Libra, por sua capilaridade e popularidade entre os seus clientes e a facilidade de uso quando o assunto é controlar, receber e transferir dinheiro. Os bancos terão que agregar produtos as suas contas para conservar essa fatia de clientes, potencialmente terão que oferecer produtos de consultoria contábil, tributária e experiências diferentes de gerenciamento financeiro.

Maquinas de Cartão de Crédito e QRcodes

Caso o Facebook vire suas armas para os sistemas de meios de pagamentos podemos esquecer que um dia havia uma época onde as maquininhas de cartões brigavam em rede nacional diariamente por um lugar ao sol. Potencialmente qualquer cryptomoeda baseada em blockchain poderia extinguir os meios de pagamento via cartão, eliminando completamente os intermediários de pagamentos que conhecemos hoje (Bandeiras de cartão e as Maquininhas). A tecnologia blockchain se usada plenamente transfere diretamente a quantia financeira entre o comprador e vendedor, as bandeiras teriam a única e exclusiva finalidade de promover parcelamentos no ato do pagamento, virando assim financeiras on-the-go. Com empresas como a UBER como parceiras oficiais da moeda a transferência de fundos do tipo peer-to-peer será cada vez mais fomentada.

Conclusão

Vivemos para vivenciar uma nova era de domínio das empresas de tecnologia, grandes grupos econômicos e financeiros agora experimentarão o sabor de perigo que pequenos segmentos como o de transporte de passageiros enfrentaram recentemente. A tendência é que a vontade popular prevaleça e que realmente os bancos tenham que se reinventar para a nova era de moedas globais, talvez até mesmo o conceito de open banking não tenha tempo de ser implementado como pensamos até agora e tenha que se reinventar no meio do caminho. Será que a interface com os clientes deixará de ser feita pelos bancos? Que cuidarão somente do “Banking de Fato”, com suas tesourarias e produtos relacionados a empréstimos e financiamentos.

2020 será um ano bombástico ao que tudo indica, e aparentemente para o bem comum.

As cartas estão na mesa. Viva a inovação!

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