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Tatianna Correa | Diretora Agile CoE | everis Brasil

Complexidade é conexão e agilidade é humanização

São muitas as situações que nos deparamos nas empresas e que encontramos explicações nas nossas origens como seres humanos. Ao resgatar a nossa história, vemos que o comportamento das pessoas dentro das organizações no mundo moderno é similar à forma como se comportavam desde as primeiras civilizações.

As pessoas se relacionam com quem elas querem em torno de algo que têm em comum. As lideranças de empresas trocam seus postos de comando, redefinem a hierarquia, demitem, contratam, e as pessoas continuam escolhendo com quem querem se relacionar, independente das mudanças estruturais na organização. Simplesmente, porque essa escolha, assim como vários outros aspectos do nosso comportamento, fazem parte da natureza humana…..e ela ninguém muda!

A industrialização de produtos e serviços de forma massificada, deu origem a modelos que se consolidaram durante anos, com o objetivo de atender necessidades específicas de classes dominantes, ignorando de forma proposital a natureza humana das pessoas.

Limites foram estabelecidos nas organizações. A camada dos que pensam e a dos que executam. Dos que mandam e dos que obedecem. Dos que tomam decisões e dos que acatam as decisões tomadas. E por aí vai…

Com o mundo cada vez mais exposto a incertezas e alto nível de imprevisibilidade, não há como desconsiderar a natureza humana e separar o “joio do trigo”. As separações usuais que se perpetuaram por muitos anos, não funcionam mais. É preciso que todos pensem e que o conhecimento de todos seja conectado continuamente!

Por que modelos que se mostraram eficientes não estão mais trazendo resultados? Antes de responder a essa pergunta, é importante esclarecer a definição de cada um dos termos que abordaremos aqui.

Sistema: segundo Donella H Meadows (2008), “sistema é um conjunto interconectado de elementos coerentemente organizados com o propósito de alcançar algo.” Exemplo: time de futebol.

Complexidade (Sistema Complexo): segundo Melanie Mitchell (2011), “sistemas complexos são aqueles cujos elementos operam sem um controle central, apresentando um comportamento complexo e imprevisível, com um sofisticado processamento de informação, e uma adaptação via aprendizado ou evolução. Exemplo: cérebro, time ágil.

Agilidade: minha própria definição de agilidade, resume o termo da seguinte forma: “ forma de atuação entre pessoas, que respeita a real natureza de imprevisibilidade e constante mudança de um sistema complexo com o objetivo de gerar valor de forma contínua”.

Invalidando modelos tradicionais na complexidade: as definições acima explicam o porquê de modelos criados com base em estabilidade e previsibilidade não estarem mais ajudando as organizações a atingir resultados. A definição de Melanie Mitchell, mostra que em um sistema complexo, os elementos (as pessoas no caso) operam sem um controle central. Essa afirmação invalida automaticamente, modelos de gestão baseados em executivos que se concentram em definir estratégias de médio e longo prazo, para que suas equipes executem.

Não há como definir planos antecipados quando o terreno é desconhecido. Considerando a instabilidade e imprevisibilidade que caracteriza a complexidade, e a diversidade de conhecimento disseminado dentro da organização, é preciso que a dinâmica entre líderes e liderados possibilite a conexão de pessoas de forma que permita que soluções emerjam no momento em que os problemas surgem.

Em um sistema complexo, cada pessoa tem importância relevante no funcionamento do sistema. Essa afirmação invalida a replicação de modelos e a utilização de “melhores práticas”. Ora, se uma solução que um grupo de pessoas que atuam em uma organização X funcionou, como posso ter a certeza que vai funcionar em uma outra organização Y, que tem como elementos de seu sistema, outras pessoas com características totalmente diferentes das que pertencem à organização X?

A conexão entre as pessoas

Se para atuar em sistemas complexos, é preciso que haja conexão entre os elementos do sistema, e se em uma organização, os elementos desse sistema são as pessoas, como garantir que elas se conectarão de forma a resolver os problemas apresentados?

Pessoas se conectam umas com as outras, em torno de propósitos similares, em torno de uma causa pela qual querem lutar. Para que se conectem umas com as outras, é preciso que haja confiança, que por sua vez estimulará colaboração, combustível principal para fazer o sistema funcionar.

Se a complexidade pode ser resumida pela necessidade de conexão entre os elementos, se os elementos do sistema forem pessoas, podemos afirmar que agilidade pode ser resumida pela necessidade de humanização dos ambientes organizacionais. Quando o assunto são seres humanos, não há conexão, sem humanização.

É o entendimento da natureza complexa, que está fazendo a diferença entre as organizações modernas. Rejeitar a necessidade de conexão das pessoas para trazer resultados organizacionais de forma sustentável, é negar a natureza de sistemas complexos e das pessoas que o formam.

Não há como contrariar a natureza dos sistemas e nem dos seres humanos!

Enquanto complexidade pode ser traduzida como conexão, agilidade pode ser resumida como humanização!

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