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Diane Reis Farina | Business Consultant | everis Brasil

Oportunidades e desafios da implementação do Open Banking no Brasil

O Open Banking está em processo de implementação no Brasil, podendo ser definido como um assunto ainda novo e que provoca algumas indagações a emergirem.

Open Banking é uma nova realidade em termos de novas tecnologias e compartilhamento de dados que está surgindo.

Relacionado e usufruindo da implementação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), em um cenário que os dados financeiros dos consumidores passam a ter como únicos detentores universais os próprios consumidores, com estes passando a possuir o poder de compartilhar seus dados financeiros com as instituições financeiras que desejarem.

Algo que promete facilitar a vida financeira dos consumidores, pois agora com mais instituições financeiras, possuindo acesso aos dados financeiros dos consumidores, a tendência é de que a sua análise para serviços como crédito seja agilizada, além de recebimento de oportunidades mais personalizadas e vantajosas.

O BACEN (Banco Central do Brasil) já declarou ao mercado, em reportagens e entrevistas, por meio de seus representantes, que possui 4 grandes objetivos com a adoção do Open Banking:

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Fonte: Elaborado pelos autores

Olhando por esta perspectiva, o Open Banking apresenta um Oceano Azul para os consumidores, com a oportunidade de desbravar espaços inexplorados, proporcionando diversas vantagens como: elevação do poder de compra e giro de recursos financeiros, além da redução das taxas bancárias e de juros, acarretando em maior competitividade no setor financeiro brasileiro.

Primeiramente cabe listar quem seriam estes players altamente impactados: como já ficou claro, tanto bancos como fintechs serão amplamente impactados, ou seja, as empresas que atuam com serviços financeiros diretamente.

Porém, outros players também podem buscar serem beneficiados pela implementação do Open Banking, sendo estas as empresas que ofertam soluções tecnológicas, as consultorias de negócios, as startups e até mesmo empresas que possuem dados dos consumidores, mas que não fazem parte do setor financeiro, estes últimos podendo ser amplamente beneficiados.

O alto impacto para as empresas do setor financeiro, sejam elas bancos, ofertadoras de crédito e / ou empréstimos e / ou fintechs (com as suas diversas atuações, como no setor de crédito), entre outras, fica evidenciado pela obrigatoriedade de compartilhar os dados financeiros de seus consumidores, mediante autorização explicita destes, com seus concorrentes, ampliando significativamente a gama de concorrência, inclusive possibilitando que organizações de outros setores (não financeiros) usufruam das oportunidades, podendo entrar no mercado para usufruir de oportunidades diversas, como oferta de crédito.

Facilitando a oferta de oportunidades financeiras mais personalizadas e atrativas a estes, algo que tende a ser visto como ameaça, mas também pode ser tratada como oportunidade, uma vez que será possível acessar os dados financeiros de não consumidores, quando explicitamente autorizados.

Sendo o momento muitas vezes de rever a estratégia e as soluções tecnológicas das empresas, repensando o posicionamento estratégico organizacional e como esta nova massa de dados será tanto disponibilizada às outras empresas como acessada de outras empresas.

Isso poderá aquecer o mercado para as startups, que sempre buscam por inovações, de forma rápida, seja uma inovação mais ou menos disruptiva, com o estigma de serem novas e pequenas empresas que podem arriscar, por não possuírem uma marca consolidada que possa ser comprometida por um insucesso em um cenário arriscado e incerto.

Outro segmento de empresas que estão em um movimento ainda não evidenciado, que buscam aproveitar as oportunidades do Open Banking, são as empresas não financeiras, mas que possuem amplo volume de dados dos consumidores.

Estas empresas podem ser caracterizadas como as grandes detentoras de dados dos consumidores, assim como os grandes bancos, pense na quantidade dos dados de consumidores que estas empresas possuem, muitas sabem até mesmo as preferências de consumo, ou mesmo o poderiam saber com base em seus históricos de compra.

E agora no cenário de Open Banking, estas empresas também vão poder ter acesso aos dados financeiros destes consumidores, mediante a sua autorização explicita, e desde que também possuam alguma relação direta com o setor financeiros, pois pela evolução das discussões do Open Banking no Brasil, o modelo a ser adotado por aqui vai delimitar o compartilhamento dos dados financeiros apenas com empresas pertencentes ao setor financeiro.

Será coincidência as novas aquisições que estão ocorrendo no mercado?

O Open Banking ainda está sendo desenhado e surgindo, mas já é um fato para a realidade do Brasil, de forma que vamos enfrentar sim este movimento no mercado financeiro, e os únicos pontos que permanecem ainda sem definição são quando e como, além do mercado precisar descobrir como será esta nova realidade.

Em relação ao quando, a legislação ainda não está finalizada, e o último passo divulgado foi a abertura de uma consulta envolvendo o tema que permaneceu vigente até o dia 31 de janeiro 2020, com os seus resultados de forma categorizada ou mesmo conclusiva não tendo ainda sido divulgados, ou melhor explorados de forma pública.

Sabe-se que o Open Banking mandatoriamente exige que a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) esteja em plena vigência, para que o poder do compartilhamento dos dados dos consumidores já seja de poder destes, processo que teria a sua implementação findada em agosto de 2020, data que foi atualizada para maio de 2021 e ainda poderá ser alterada em função do cenário mundial atual.

Os aspectos a serem adotados pelo Open Banking no Brasil também ainda não estão claros, uma vez que o modelo a ser adotado pode ser mais:

  • Consolidado — com o regulador determinando os dados a serem compartilhados, o modelo de compartilhamento e até mesmo o modelo de compartilhamento para o compartilhamento ocorrer (como um aplicativo que permita aos consumidores tanto visualizarem todos os seus dados financeiros, como realizarem operações financeiras, além de já disponibilizar a autorização para o compartilhamento dos dados financeiros);
  • Flexível — com o mínimo de regulação e deixando que os consumidores optem por quais dados desejam compartilhar e em qual plataforma, cabendo as instituições determinarem o formato de compartilhamento dos dados financeiros e os consumidores ditando as plataformas para tal.

Aos consumidores resta aguardar por esta grande inovação no mercado financeiro nacional e às empresas cabe um movimento para reverem a sua estratégia e posicionamento, prevendo as possibilidades do novo cenário nacional, no que tange o sistema financeiro e o compartilhamento de dados.

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