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Juan José Sobrino | Gerente Geral | everis Argentina

Somos poucos. Ou escolhemos o caminho mais curto?

Há algum tempo, a ideia estabelecida na comunidade de TI foi que a demanda por empregos no setor excede em muito a oferta disponível. Este fato ocorre não apenas localmente, mas também globalmente. Você ouve frases como “em TI, o desemprego é quase zero”, algo que ainda é um paradoxo em um país com níveis de desemprego de quase 15% e com empregos informais crescendo exponencialmente dia a dia nos últimos 4 anos.

Este é um dilema difícil de resolver, como uma equação de três termos: por um lado, a demanda por profissionais com um certo nível de experiência (veremos mais adiante sobre essa qualidade). Por outro lado, o universo limitado de recursos disponíveis, ou seja, a oferta. Por último, e talvez onde a solução para solucionar este enigma deva ser procurada, o famoso ecossistema, onde é estabelecido a relação entre oferta e demanda.

Os dois primeiros termos da equação citada (oferta e demanda), para efeito desta análise, são considerados dados e imutáveis pelos atores: a dinâmica atual dos negócios, a necessidade das empresas se diferenciarem para garantir a competitividade, a importância fundamental de informações precisas e oportunas no momento de tomada de decisões, tanto para o setor privado quanto para o governo, são fatores que fazem com que a demanda relacionada à implementação de projetos tecnológicos cresça de forma sustentada (desenvolvimento de aplicações, transformação digital, robótica, realidade virtual, realidade aumentada, a Internet das Coisas etc.).

Consequentemente, a demanda por profissionais capacitados para realizar estes projetos está crescendo. Entretanto, a falta de predisposição dos jovens para iniciar longas carreiras universitárias (hoje as pessoas procuram — e todos pensam que podem encontrar caminhos curtos para o sucesso), o escasso encantamento que envolve as disciplinas técnicas, (em uma realidade onde tudo, ou quase tudo, é efêmero, onde tudo é baseado em imagem, exposição e aceitação das pessoas), a falta de atualização curricular proposta pela maioria das universidades em carreiras relacionadas com a tecnologia (é válido reconhecer que é difícil acompanhar a velocidade da evolução), entre outros fatores, significa que, a oferta de profissionais qualificados é escassa.

Embora seja um termo amplamente citado nos últimos tempos, sem dúvida “ecossistema” é o que melhor define este caso, isto é, uma rede de participantes e relações que contribuem para este modelo a complexidade que o caracteriza. É o local onde todas as partes devem se concentrar para encontrar uma solução satisfatória para determinado desafio. As partes mencionadas são as empresas, tanto privadas quanto públicas, que exigem serviços de profissionais de TI. Também são as empresas que prestam serviços relacionados a projetos tecnológicos: empresas de consultoria, desenvolvedores de aplicativos, implementadores de projetos, integradores de soluções etc. Porém, as universidades, o governo e seus incentivos/regulamentos para o setor, e até mesmo a mídia, também fazem parte deste ecossistema. O sucesso da solução dependerá da coerência na gestão de cada uma das partes envolvidas.

Para muitas empresas que prestam serviços como os descritos, é muito mais fácil, mais atraente (e com menor custo), seguir o caminho mais curto: seduzir os recursos humanos de sua concorrência (concorrência que, muito provavelmente, investiu em sua formação) em vez de apostar no treinamento e desenvolvimento de recém-formados ou estudantes de carreiras universitárias relacionadas. Este tipo de prática afeta todo o ecossistema, pois uma empresa local não pode competir com os salários e benefícios de uma empresa multinacional, e acaba ocorrendo uma distorção irreparável nas estruturas de remuneração. Os empregadores devem resistir à tentação de recrutar talentos sob esta estratégia, e criar um modelo de crescimento melhor e mais sustentável baseado no investimento em treinamento, coaching e especialização de novos candidatos no mercado de trabalho. Somente assim será possível expandir a base profissional, que é o indicador mais claro do crescimento sustentado da atividade.

As empresas privadas, por sua vez, devem acompanhar esta forma de crescimento aceitando equipes de projeto em forma de pirâmide: permitindo que a parte mais operacional da equipe seja formada por recursos humanos em treinamento, portanto, mais econômicos, e assim contribuir para a boa saúde do ecossistema. O governo deve apoiar com políticas públicas para que as empresas da área possam continuar crescendo, proporcionando incentivos e também regulamentações igualitárias e, acima de tudo, consistentes para todos. As universidades, por sua vez, devem incluir em seus currículos conteúdos que estejam alinhados com as novas exigências que a tecnologia impõe e ao mesmo tempo propor esquemas de ensino inovadores, adaptados às novas tendências que são desenvolvidas globalmente e que, por meio da tecnologia, possam ser replicados sem os atrasos do passado.

Colocar esta proposta em prática é um grande desafio. Entretanto, e provavelmente como nunca antes, o momento de discutir e estabelecer as bases para o crescimento sustentado e coerente da atividade parece estar chegando e deve ser aproveitado.

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