Image for post
Image for post
Luiza Machado Futuro | Head of Human Research, Chazz, part of everis & NTT Data

“Todo mundo quem?”: os brasileiros que não usam redes sociais.

A sensação de que todo mundo está nas redes sociais influencia na tomada de decisões tanto no processo de comunicação e estratégias de empresas privadas até a definição da agenda da sociedade civil e do Estado, que dedicam uma parcela cada vez maior e muitas vezes exclusiva de seus investimentos à publicidade nas redes. Ao se propor a investigar os brasileiros que estão fora das redes sociais, o projeto independente “Todo Mundo Quem”, revela uma visão míope em relação a realidade de conexão e acesso as redes sociais no Brasil. Idealizado pelo pesquisador Filipe Techera e com co-autoria de Luiza Futuro, também Head of Human Research em Chazz, estúdio de design do grupo everis, a investigação nos leva a repensar o discurso totalitário e bastante cotidiano de maioria.

Atualmente, cerca de 33% da população brasileira não está nas redes sociais. Ou seja, ao mesmo tempo que somos um dos países que tem mais usuários e índices de usabilidade nas redes sociais, este estudo identificou que há uma grande parcela da população que não faz uso destas plataformas.

Desde 2017, a investigação ‘Todo Mundo Quem?’ estuda o comportamento dos brasileiros que estão fora das redes sociais. Em sua primeira fase, de pesquisa qualitativa, os pesquisadores do projeto passaram por Belém, Salvador, Cuiabá, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre conversando com pessoas entre entre 14 e 65 anos, de todas as classes sociais, sobre a sua relação com informação comunicação, relação e motivações para não acessar ou aderir as redes sociais. As redes sociais que foram consideradas neste estudo para mapear os não usuários foram: WhatsApp, Instagram, Facebook e Twitter. Em sua fase quantitativa, a investigação contou com um estudo conduzido pela GFK, com mais de 11.887 entrevistas, com pessoas de 16–79 anos das classes A, B, C e DE nas 15 principais regiões metropolitanas do País. Sendo elas, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belém, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Florianópolis, Campinas, Vitória, Goiânia e Manaus.

Conversando com pessoas que não possuíam redes sociais, identificamos motivações distintas para não estar cadastrado nestas plataformas. Porém, antes de dividir nossos aprendizados é importante ressaltar que há, ainda que nas capitais e em suas regiões metropolitanas, questões estruturais que impossibilitam o acesso de uma grande parcela da população à internet e às redes sociais. É preciso considerar diferentes “Brasis” quando o assunto é acessibilidade e conectividade. Barreiras sócio-demográficas, má distribuição de renda que resulta na falta de acesso financeiro para contratar um serviço de internet ou possuir internet no celular, à ineficiência do sistema educacional que tem como consequência o analfabetismo digital. O contexto nacional deixa claro que ainda estamos longe para que o acesso à internet no Brasil atinja o patamar de direito humano, como foi reconhecido pela ONU em 2011.

O estudo revelou que 52% dos não usuários são da classe C e não na classe D e 39,2% têm menos de 45 anos. Esses dados quebram alguns estereótipos e pré-conceitos que criamos em relação à falta de acesso tanto em relação a redes sociais como internet no Brasil, além de mostrar o potencial de crescimento que essas ferramentas ainda tem pela frente.

Ainda, a investigação encontrou um perfil que nos trouxe mais novidades sobre o comportamento de estar fora das redes. Denominamos de Nativos Sociais, o grupo de pessoas, que não possui nenhuma barreira de limitação para acessar as redes, mas que mesmo assim escolhe não fazer parte das redes sociais. Em sua maioria ex-usuários das redes sociais, os Nativos Sociais são jovens, informados, que compram e acessam múltiplos serviços na internet. Em consequência de más experiências oriundas da dinâmica de acesso, como o rompimento de relações concretas, busca de privacidade, ansiedade devido a sensação de urgência constante, baixa autoestima, sair pior do que entrou das redes sociais devido ao discurso de ódio, desinformação e outras são algumas das motivações encontradas na investigação. Entendemos que os Nativos Sociais, são um grupo que elaboram uma contra tendência, ao uso exacerbado das redes sociais. Este não é um movimento exclusivo, pelo contrário, a evasão dos jovens das redes sociais é um fenômeno global e no Reino Unido foi nomeada de “the logged of generation”.

Se o vício nas redes sociais já é considerando um problema de saúde pública por muitos países como China, Italia, Londres e Nova Zelândia, os dados do Brasil não nos levam a um caminho diferente.

Acredita-se que os jovens são irremediavelmente devotos às mídias sociais, tendemos a sempre projetar um jovem always on, mais perto de gadgets do que de pessoas. Porém, os Nativos Sociais nos convidam a olhar para novos caminhos e narrativas de conexão e concretizam a necessidade de viver e construir melhores relações sem a intermediação das telas.

Todo mundo Quem é um projeto independente idealizado pelo pesquisador Filipe Techera e com co-autoria da pesquisadora Luiza Futuro.

Uma investigação qualitativa e quantitativa sobre os mais de 70 milhões de brasileiros fora das redes sociais. Em sua fase qualitativa o projeto conversou com pessoas de 14 à 65 anos de todas as faixas de renda em 6 regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Cuiabá, Salvador e Belém).

Na fase quantitativa o estudo contou com mais de11 mil entrevistas em 15 regiões metropolitanas brasileiras.

https://www.todomundoquem.com/

Written by

Exponential intelligence for exponential companies

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store