Image for post
Image for post
Mauricio Ríos | CEO | everis Chile

Transformação Digital | Agir como uma startup: vivenciar, fracassar e emergir

Recentemente, eu li um artigo publicado por Jeanne Ross, uma renomada pesquisadora do MIT, no qual ela mencionou que, para as empresas definirem com sucesso sua estratégia digital, elas devem sempre considerar as necessidades dos clientes e avaliar as soluções.

Em suma, nós, empresários, devemos responder a duas perguntas: o que os dados e as tecnologias digitais podem fazer para resolverem os problemas dos meus clientes? E que soluções são valorizadas pelos clientes? Está claro que focar em aspectos que não valorizam é um esforço inútil. Um exemplo disso aconteceu em 1984, e custou US$ 350 milhões à Federal Express, quando criaram um serviço de entrega eletrônica, o ZapMail, para competir com as máquinas de fax. Uma invenção muito interessante, mas não era de interesse para as pessoas na época e foi retirado do mercado após o seu segundo ano de lançamento. Outro exemplo disso é o famoso Coca Cola Life, lançado em 2013 e, embora tivesse uma previsão de vendas muito alta, não conseguiu cativar o público.

Mas também há casos em que a resposta correta para estas perguntas levem ao sucesso. A Cornershop chilena, o Rappi colombiano e o Spotify sueco, como exemplos, puderam ver as necessidades do cliente, mas também compreenderam o valor que dariam ao serviço oferecido. É aí que reside o sucesso: encontrar uma combinação perfeita entre necessidade e avaliação.

Como pode uma empresa alcançar um sucesso semelhante? Primeiro de tudo, você tem que estar disposto a falhar, se você não aceitar essa possibilidade, é impossível embarcar nesta jornada através do desconhecido. É também necessário ter consciência de que toda a experimentação requer um trade-off: estar disposto a um investimento que possa ser visto como uma despesa a curto prazo para obter um lucro a longo prazo. Como empresários, se não formos capazes de aceitar certas perdas, nunca conseguiremos alcançar resultados diferentes. O caso da Coca-Cola descrito é, exatamente, um caso emblemático de tentativa e erro, de teste de clientes e de manutenção de uma cultura aberta de experimentação. Isto é algo que as empresas que se autodenominam “inovadoras” não podem e nem devem evitar.

E como criar uma cultura aberta à experimentação? Não é fácil responder a esta pergunta, muito menos implementar a resposta. No entanto, nem tudo está perdido, há vários passos que podemos dar no mundo dos negócios para atingir esse objetivo. Primeiro de tudo, favorecer o ambiente de testes dentro da empresa. Convidar as pessoas a olhar para os processos, rever a estratégia, melhorar os ambientes de trabalho e a forma como as áreas estão relacionadas, são alguns dos desafios para os quais as próprias pessoas da empresa podem colaborar para melhorar. Quando conseguirmos que nossos funcionários criem maneiras diferentes de fazer as mesmas coisas de sempre, estaremos impulsionando a experimentação por meio da inovação.

Em segundo lugar, como disse anteriormente, aceitar o fracasso como um exemplo dos processos de mudança, crescimento e melhoria. Fomos criados para buscar o sucesso e a aprovação de coisas bem feitas, e é por isso que o fracasso nos assusta tanto. Devemos mudar nosso foco e entender que o fracasso é uma oportunidade de melhoria. É de vital importância explicar que através da experimentação é possível testar ideias num ambiente controlado onde as possíveis “perdas” já estão contempladas, esperadas e não surpreendentes. Desta forma, o fracasso é visto como um passo necessário para o sucesso. Quando os colaboradores sabem que a empresa não só aprova a experimentação, mas também a encoraja, isso irá naturalmente levá-los a desafiarem-se a si próprios e as suas velhas formas de pensar.

Em terceiro lugar, mas não menos importante, é necessário que qualquer mudança seja de cima para baixo. Uma liderança se não estiver comprometida e não mostrar interesse, a mudança nunca será possível em uma empresa. A cultura começa no topo da pirâmide e é apenas através do exemplo que se consegue a adesão consciente e verdadeira. Portanto, tudo isto não será possível sem o empenho da diretoria corporativa das empresas. Os departamentos devem encorajar a sua administração a explorar o caminho da experimentação. Sem esta consideração, o sucesso da receita não será possível.

Por último, é interessante considerar que estas recomendações são apenas parte da receita para as empresas começarem a “agir como startups”. As startups têm uma relação muito saudável com o risco. Elas não têm medo de tentar, nem de cometer erros, pois isso faz com que elas ganhem conhecimentos para se aventurarem novamente e “ganhar na loteria”. Ao criar ambientes para experimentação e testes, estamos inserindo em nosso DNA tradicional uma porção de startup que é muito saudável para não perder competitividade em indústrias cada vez mais exigentes.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store